O Auto da Escrava Anastácia – Temporada 2011

A Companhia Nossa Senhora do Teatro estreou nesta sexta feira dia 14 a nova temporada de “O Auto da Escrava Anastácia”, desta vez no seu próprio Espaço Cultural Nossa Senhora do Teatro, que fica na Rua da Constituição, nº 34, Centro – Rio de Janeiro, onde também funciona a Oficina Escola Nossa Senhora do Teatro que é também um Ponto de Cultura Governo do Estado MINC.

As apresentações acontecem todas as sextas e sábados de outubro e novembro de 2011 sempre às 20:00 h. O espetáculo segue devido ao grande sucesso que vem atingindo desde a sua estréia em maio de 2008. O objetivo maior é manter viva a memória da história da mártir da escravidão no Brasil e a tradição do culto a escrava em todo o Brasil. A escrava Anastácia é um símbolo carioca que tem sido esquecido, pois a personagem chega ao porto do Rio em 1749, segue para a Bahia, vai para Minas Gerais e retorna ao Rio de Janeiro onde é sepultada na Igreja do Rosário no Largo da Carioca. O auto dos santos brancos é sempre bem lembrado, mas de um negro, isso quase sempre é esquecido. Escrava Anastácia foi santificada por uma crença popular e isso tem trazido inúmeras discussões, se há veracidade dos fatos ou se de fato é um mito, o que é de se observar é que a heroína é um bem imaterial de todo o país e uma manifestação típica do Rio de Janeiro que era celebrada na Igreja do Rosário e que foi proibida pela Igreja católica. A escrava também é cultuada, mas com reservas em terreiros de umbanda.

A vontade da Nossa Senhora do Teatro não é só a preservação da cultura imaterial afrodescendente, mas principalmente, de apropriar-se de uma história significativa, perdida no tempo que nos traz uma mensagem de luta e fé, sem derramamento de sangue, através do diálogo, como a personagem central bem o fazia. Anastácia era uma mulher esclarecida e portadora de inúmeros dons divinos e que foi incompreendida na sua época. Na sexta feira dia 14 de outubro estiveram presentes personalidades importantes do Rio de Janeiro como a atriz Maria Ceiça, Benedito Sérgio do IPCN, governantes das esferas Municipais, Estaduais e Federais.

A história

OjuOrum, batizada no Brasil por Anastácia era uma Princesa Banto, vinda do Congo, chega ao Porto do Rio de Janeiro em 1749, seguindo para Bahia, Minas Gerais, retornando a Corte do Rio de Janeiro, próxima a sua morte. Dotada de rara beleza, tinha os olhos azuis, muito inteligente, possuía o dom da palavra e da cura. Foi perseguida e contestada pela Igreja Católica. A beleza e a inteligência de Anastácia incomodavam também as mulheres brancas de sua época. Anastácia era protegida pelo senhor Joaquim Antônio, o filho da famosa dona de Engenho, Srª Joaquina Pompeu, este apaixona-se por Anastácia, e começou a assediá-la, rogando o seu amor que lhe é negado. Manda então que se coloque na Escrava, uma máscara de ferro (máscara de flandres – utilizada nos escravos nas minas de para que não engolissem as pepitas de ouro) e também o colar de ferro dos negros fujões. Anastácia vive assim durante quase 30 anos, só sendo permitida a retirada da máscara para sua alimentação. Os anos passam e a escrava adoece gravemente com gangrena pelo pescoço e boca e mesmo antes de morrer ela é capaz de curar o filho do senhor de engenho Joaquim Antônio, que tem uma doença pulmonar grave. Logo se espalha por todo o país os fatos que ocorreram, permanecendo até os dias de hoje os relatos de promessas e curas alcançadas.

Após a morte da Escrava Anastácia, seus restos mortais foram sepultados na Igreja do Rosário, Rio de Janeiro, mas que destruída por um incêndio perdeu-se os poucos documentos que provavam sua existência, assim como a sua ossada. Dizem que o incêndio foi criminoso para afastar dali milhares de fiéis que buscavam na presença de seu espírito os mais diversos milagres. Afastou-se os fiéis e a igreja se tornou vazia. Hoje Escrava Anastácia é um misto de mártir, heroína e santidade que permeia o imaginário popular no país. Além de sua representatividade para o povo brasileiro é também seguida por mais de 30 milhões de adeptos por todo o país.

O espetáculo

A encenação conta com o elenco de 30 artistas entre atores, músicos e dançarinos e comemora o ANO INTERNACIONAL PARA OS POVOS AFRODESCENDENTES estabelecido pela ONU – 2011. O espetáculo conta com uma trilha sonora com músicas da cultura de matriz afro-brasileira cantadas ao vivo. Além das coreografias e do rico figurino de época, destaca-se o momento em que o grande anjo negro leva a Escrava Anastácia após sua morte.

A realização é da Companhia Nossa Senhora do Teatro, que foi indicada ao Prêmio de Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro em 2011 e está sob direção artística de Ricardo Andrade Vassíllievitch. O espetáculo já percorreu desde 2008, várias cidades do Estado Rio de Janeiro e obteve excelentes críticas do diretor e ator Sérgio Britto, da atriz Ruth de Souza, diretor do SATED Jorge Coutinho, do jornalista Milton Cunha entre outros conceituados artistas, críticos e público em geral que prestigiaram a encenação.

Serviço
O Auto da Escrava Anastácia
Realização: Nossa Senhora do Teatro
Elenco: Lorena de Angola como Escrava Anastácia, Jefter Paulo, Ana Ýcaro, Arnaldo Passos, Mirian Torres, Fernanda Torres, Francisco Gomes, Tatiana Barcellos, Sérgio Salles, Alessandro Negralla, Priscilla Barreto entre outros.
Texto e Direção Artística: Ricardo Andrade Vassíllievitch
Local: Espaço Nossa Senhora do Teatro
Rua da Constituição, nº 34, Centro – Rio de Janeiro.
Tel. do Teatro. 3685 – 6524
Temporada: 14 de outubro a 25 de novembro
Dias – Sextas e Sábados
Hora: 20 h
Ingressos: Inteira R$20,00
Classificação: Livre para todas as idades
Informações: 21- 3773-8375 – (21) 9714-4940

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